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Quarta-feira, 19 de março de 2003 08h00


ALéM DE INúMERAS BELEZAS NATURAIS O MUNICíPIO DE COTRIGUAçU, LOCALIZADO NO NOROESTE MATO-GROSSENSE, ABRIGA UM PROJETO INOVADOR: “POçO DE CARBONO PEUGEOT”

Comissão de Meio Ambiente conhece projeto de sequestro de carbono

RAPHAELLA PADILHA / ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO



Além de inúmeras belezas naturais o município de Cotriguaçu, localizado no noroeste mato-grossense, abriga um projeto inovador: “Poço de Carbono Peugeot”. Trata-se de um mecanismo que busca anular a emissão de gases poluentes através da preservação da floresta e do manejo sustentável. Com intuito de regulamentar o processo de sequestro de carbono no Estado, o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, deputado Dilmar Dal Bosco (DEM) visitou a Fazenda São Nicolau.

“Para alimentar-se as árvores produzem fotossíntese, ou seja, capturam o gás carbônico da natureza e liberam oxigênio, o que foi chamado pelos cientistas de sequestro de carbono. Além de poder vender o crédito produzido em sua área, o agricultor ainda poderá associar práticas sustentáveis como a silvicultura e a atividade agropastoril”, explica Dilmar.

O projeto teve início em 1998, quando a Office National dês Forêtes (ONF) a Agência Florestal da França, em parceria com a montadora de veículos Peugeot, adquiriu uma área com 10 mil hectares dentro da Amazônia Legal cujo objetivo era reflorestar, com espécies nativas, os três mil hectares devastados pela pastagem que existiam na propriedade e, por conseguinte, sequestrar carbono atmosférico e fomentar a restauração da biodiversidade.

Diante do sucesso da inciativa, que em 14 anos conseguiu recuperar 1.800 hectares, somando dois milhões de árvores plantadas, com 52 espécies, a entidade francesa decidiu doar o projeto ao país, criando uma empresa denominada ONF Brasil. A partir daí a fazenda se transformou em uma estação de pesquisas com ambientes voltados exclusivamente ao estudo da mata nativa, visando conservação da floresta e o manejo sustentável em diferentes sistemas combinando a produção florestal e agrícola.

A projeção, segundo Cleide Arruda, diretora da empresa brasileira, é de que entre os anos de 1999 e 2038 a fazenda produza uma média anual de 15 toneladas em crédito de carbono por hectare. “A medida da tonelada de carbono tem como base de cálculo o diâmetro da árvore, ou seja, quanto maior o tronco, mais sequestro ela fará. A especificação é atestada por auditores estrangeiros e a comercialização é feita em uma bolsa internacional, cujos valores são avaliados em euro, o que torna o negócio economicamente viável”, pontuou a gestora.

Arruda ressalta, que o retorno financeiro do sequestro de carbono é possível em longo prazo. “Em quinze anos de implantação o Poço de Carbono Peugeot comercializou seus créditos apenas uma vez, e todos os recursos adquiridos foram reinvestidos no projeto”, destaca.

VIABILIDADE ECONÔMICA - De acordo com Dilmar Dal Bosco, a intenção do Legislativo Estadual é propagar o sequestro de carbono para outros municípios, pois trata-se de um projeto economicamente viável e ecologicamente justo, já que seu principal objetivo é que os proprietários de terra sejam ressarcidos financeiramente, por empresas que se utilizam de combustíveis fosseis e até mesmo por Organismos Internacionais, para manter a floresta em pé.

Segundo o presidente da Comissão de Meio Ambiente, para dar sustentação legal às pessoas que queiram trabalhar com o sequestro de carbono, o Estado de Mato Grosso publicou, em janeiro passado, uma lei criando o Sistema Estadual de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal, Conservação, Manejo Florestal Sustentável e Aumento de Estoques de Carbono Florestal (REDD+).

Dal Bosco explica que o sequestro de carbono foi amplamente debatido pelo Fórum Mato-grossense de Mudanças Climáticas, promovido pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e onde a Assembleia Legislativa, através da Comissão de Meio Ambiente, participou ativamente. Na oportunidade foram discutidas inúmeras ações para frear o aquecimento global - resultado da emissão de gases poluentes na atmosfera- e promover alternativas legais que fomentassem a economia do Estado em conjunto com a inserção social e a sustentabilidade ambiental.

“O debate reuniu cientistas, ambientalistas e técnicos ambientais, que chegaram a conclusão de que a melhor maneira para conter o aquecimento global é a preservação, e que, somente uma lei estadual, daria a garantia legal ao projeto, o que o torna economicamente viável diante dos países estrangeiros”, pontuou Dilmar.

INTEGRAÇÃO SOCIAL - Além da pesquisa realizada na fazenda, a equipe técnica da ONF Brasil apoia os agricultores e moradores do entorno, buscando melhorar suas práticas através da implementação de sistemas agroflorestais no P.A. Juruena, vizinho ao local. “Em 2012 doamos 22 toneladas de castanha do Brasil para assentamento Juruena, que foram posteriormente comercializados em prol da comunidade”, afirmou a diretora.

Cleide Arruda revela que a empresa também oferece capacitação técnica e curso de campo para acadêmicos das universidades estadual e federal versando sobre temas como plantio, ecologia, parataxonomia vegetal, sistemas agrosilvopastoris e manejo florestal sustentável. A empresa também oferece educação ambiental os alunos do ensino básico residentes nos municípios vizinhos.

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