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Quarta-feira, 18 de agosto de 2021 17h51


COVID-19

Lúdio requer explicações sobre compra de ivermectina pelo governo de MT com preço sete vezes maior que municípios

Governo estadual pagou R$ 2,05 por comprimido de ivermectina enquanto Prefeitura de Cáceres pagou R$ 0,28

LAISE OLEAS LUCATELLI / Gabinete do deputado Lúdio Cabral



Foto: Marcos Lopes

O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) requereu informações e documentos à Secretaria de Estado de Saúde (SES) sobre a compra de 1,4 milhão de comprimidos de ivermectina por R$ 2,8 milhões, a um custo de R$ 2,05 por comprimido, preço sete vezes maior que o preço pago por alguns municípios de Mato Grosso. O requerimento foi aprovado pela Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (18). A compra de 350 mil caixas de ivermectina pelo governo de Mato Grosso foi citada durante depoimento do diretor executivo da farmacêutica Vitamedic, Jailton Batista, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia no Senado, na semana passada.

“Nós pesquisamos os contratos e identificamos que o Estado pagou muito mais caro que os municípios em cada comprimido de ivermectina. Há uma série de lacunas e incongruências no contrato do governo de Mato Grosso com a Vitamedic que precisam ser esclarecidas, como o fato de o contrato primeiro falar em unidade como caixa e depois como comprimido. O fato é que o Estado pagou R$ 2,05 por comprimido de ivermectina”, explicou Lúdio.

No levantamento, Lúdio identificou que a Prefeitura de Cáceres fez a compra mais barata: foram 500 mil comprimidos por R$ 0,28 cada. Juína e Nortelândia compraram 10,3 mil e 1,5 mil unidades, respectivamente, e pagaram R$ 0,95 por comprimido. Alto Taquari comprou 3 mil comprimidos ao custo de R$ 1 cada, e Alta Floresta comprou 20 mil comprimidos por R$ 1,18 cada. 

“O Estado precisa explicar por que pagou esse valor no mesmo momento que municípios de Mato Grosso pagaram um valor bem menor por quantidades bem menores desse medicamento. O que explica essa diferença? Por que Cáceres adquiriu comprimidos de ivermectina por R$ 0,28 a unidade e o Estado de Mato Grosso pagou R$ 2,05 por comprimido? Por que o Estado pagou tão caro e comprou quatro vezes mais a um preço sete vezes maior por unidade?”, questionou Lúdio.

Médico sanitarista, Lúdio Cabral é autor do requerimento para abrir uma CPI da Pandemia na Assembleia Legislativa, para investigar as ações e omissões do Estado na gestão da pandemia, que levaram Mato Grosso a ter a maior mortalidade por covid-19 do Brasil. Na avaliação de Lúdio, a compra da ivermectina por esse valor é mais um fato que reforça a necessidade de abrir a CPI no Estado. Seis deputados assinaram o requerimento de CPI até o momento: Lúdio Cabral, Valdir Barranco (PT), João Batista (PROS), Delegado Claudinei (PSL), Faissal Calil (PV) e Gilberto Cattani (PSL). 


Gabinete do deputado Lúdio Cabral