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Segunda-feira, 12 de agosto de 2019 12h53


PROTEÇÃO

Associação de Rondonópolis solicita abrigo para vítimas de violência doméstica

Deputado Delegado Claudinei (PSL) debateu sobre o feminicídio juntamente com associação que acolhe mulheres vítimas de violência

SAMANTHA DOS ANJOS FARIAS / Gabinete do deputado Delegado Claudinei



Foto: SAMANTHA DOS ANJOS FARIAS

O deputado estadual Delegado Claudinei (PSL) e representantes da Associação de Mulheres de Rondonópolis e Região Sul de Mato Grosso participaram, no último dia 7, da sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Rondonópolis (MT) que marcou os 13 anos de sanção da  Lei n° 11.340/06, conhecida como Lei Maria da Penha. A lei dispõe da criação de mecanismos para coibir qualquer tipo de violência doméstica e familiar contra a mulher.

Claudinei, que atuou como delegado de polícia por 17 anos, durante a explanação no Parlamento municipal, falou sobre a importância da Associação de Mulheres lutar por essa pauta, que é um problema social não só em Mato Grosso, mas em todo o mundo.

“Mesmo Mato Grosso tendo uma redução no número de casos de feminicídio de 21 para 16 neste primeiro semestre, em relação a 2018, infelizmente a estatística da maioria dos estados brasileiros aponta o aumento do número de assassinatos. O Brasil hoje está em quinto lugar no mundo todo em relação à violência contra a mulher e é uma situação grave que não pode perder de vista”, afirmou o deputado.

Delegado Claudinei considera que é de suma importância a divulgação de forma intensificada sobre o tema, para que a sociedade acompanhe a realidade do país e favoreça a promoção de ações preventivas.

“Antes de chegar ao feminicídio, que é o último estágio da violência, a vítima foi torturada, humilhada, agredida tanto fisicamente como psicologicamente. Ela teve que passar por todas essas etapas. É um crime gravíssimo”, reforça o parlamentar.   

Associação – Há cinco anos foi criada a Associação de Mulheres de Rondonópolis e Região Sul de Mato Grosso. De acordo com a fundadora e presidente da instituição, Sandra Raquel Mendes, é necessária a criação de um abrigo para acolher as mulheres vítimas de violência no município.

“A Casa de Apoio que administramos oferece cursos e oficinas de capacitação. Hoje temos 12 psicólogos que tratam essas mulheres para que saiam do ciclo da violência doméstica. Capacitamos para o mercado de trabalho. Assim, ela tem condições de adquirir a sua dependência financeira, já que muitas vezes são por questões econômicas que a mulher não se separa do agressor”, explica Sandra Mendes.

Vítima –  Há um ano, Halima Nunes, 39 anos, tomou coragem para separar do seu ex-marido agressor e foi acolhida pela associação. Casada há 10 anos, em um relacionamento abusivo, teve que abrir mão da carreira profissional a pedido do ex-companheiro para se dedicar somente à vida familiar.

“Eu abri mão de trabalhar, senti nele segurança por ser um homem experiente e mais velho. Então, ele disse que se casasse não precisava trabalhar, pois me daria uma vida boa. Errei por ter feito isso. Abri mão também dos meus amigos e da minha vida para viver com ele”, lembra.

Halima conta que ele chegou a colocar terras e empresas no nome dela. Mas, por trás de todas as “mordomias” dadas por ele, não sabia que na verdade estava sendo vítima de estelionato. “Na época foi lindo e maravilhoso. Fui ao cartório e registrei. Tudo que ele falava, eu fazia. Mas não sabia como seria o meu futuro. Quando meu nome já estava sujo e não conseguia arcar com as despesas, ele começou a me agredir. Aí, eu vi que não servia mais para ele. Começou a me xingar e depois veio a agressão física, quando minha filha de seis meses estava no meu colo. Já estava me sentindo presa a ele e com medo”, conta a vítima.

O acompanhamento psicológico na Associação de Mulheres colaborou para que Halima mudasse de vida. “A psicóloga explicou que a agressão verbal dele era para me deixar para baixo e me prender no relacionamento. Eu sentia como se não conseguisse viver e como se eu fosse culpada por tudo aquilo acontecer. A associação me abrigou inicialmente até ir para a casa de uma conhecida. Se eu continuasse com ele, eu ia permitir querer a morte”, explica.

Em junho do ano passado, ela conta que começou a “andar com as próprias pernas”. “Eu o denunciei e contei com a medida protetiva da Maria da Penha. Não acreditava que conseguiria fazer meu negócio. Comecei a fazer bolos caseiros. Tive bastante sucesso. Da mesma forma que estou prosperando com os meus bolos, eu sei que posso. Escrevi um livro que, em breve, será publicado. Hoje sou evangélica. A luta é minha e de todas as mulheres”, diz.

Os números disponíveis para denúncias de casos de violência doméstica e familiar são: 180 para a Central de Atendimento à Mulher, 197 (região metropolitana de Cuiabá) e 181 (interior do estado) da Polícia Civil de Mato Grosso.


Gabinete do deputado Delegado Claudinei

Telefone: (65) 3313-6358